terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Mensagens de Natal

Que neste Natal,

eu possa lembrar dos que vivem em guerra,
e fazer por eles uma prece de paz.


Que eu possa lembrar dos que odeiam,
e fazer por eles uma prece de amor.


Que eu possa perdoar a todos que me magoaram,
e fazer por eles uma prece de perdão.


Que eu lembre dos desesperados,
e faça por eles uma prece de esperança.


Que eu esqueça as tristezas do ano que termina,
e faça uma prece de alegria.


Que eu possa acreditar que o mundo ainda pode ser melhor,
e faça por ele uma prece de fé.


Obrigada Senhor
Por ter alimento,
quando tantos passam o ano com fome.


Por ter saúde,
quando tantos sofrem neste momento.


Por ter um lar,
quando tantos dormem nas ruas.


Por ser feliz,
quando tantos choram na solidão.


Por ter amor,
quantos tantos vivem no ódio.


Pela minha paz,
quando tantos vivem o horror da guerra.
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O NATAL

Ouvi dizer que o Natal perdeu seu significado...

Que deu lugar ao consumismo,

Árvores de Natal
e Papai Noel


Mas eu prefiro lembrar que neste Natal,
Por conta dos empregos temporários,
Muitas pessoas puderam resgatar um pouco de sua dignidade.


E que por conta do dinheirinho extra que receberão
Muitos pais e mães de família poderão
Oferecer uma mesa mais farta aos seus filhos


Prefiro lembrar que
por conta das Campanhas de Solidariedade feitas nesta época
algumas crianças ganharão, sim, algum brinquedo.


E que você...
Você poderá dar Aquele Abraço nas pessoas que você gosta
Mas que “por falta de motivo” pra abraçar
Ficou contido até agora...


E, talvez, neste momento você perceba que,
Bem ou mal,
No Natal, o Amor está em toda parte!


Mas, se ainda assim, você não quiser celebrar nesta data
Não tem problema:
Quero te convidar a viver com o Espírito do Natal
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Rasgam-se as nuvens no céu estrelado,
invade-se a vontade de gritar,
o Sol mantém-se ao longe...calado,
ouvindo o som do belo luar.

A fada desperta do sono encantado,
com a sua harpa de sonho a tocar,
o sol dormindo...sonha deleitado,
vislumbrando ao longe um novo acordar

Surge então um novo céu...a nevar
de noite e durante a madrugada,
O sol mantém-se coberto a sonhar
com estrelas e com a sua amada...

Ouve-se ao longe um galo a cantar,
adivinha-se o nascer de um novo dia,
A lua vai-se embora a chorar,
mas o Sol...desperta com alegria.

A lua adormece por fim.
Mas o Sol nada leva a mal,
pois ama a Lua tanto assim,
que voltará a encontrá-la num sonho de Natal...
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A Melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Como devo me preparar para o Natal?
 
 
Quando decidirmos a viver este Natal em oração, já estaremos começando a experimentar este encontro
Como devo me preparar para o Natal? Charles Dickens, um famoso romancista inglês, escreveu certa vez o seguinte: “Honrarei o Natal em meu coração e tentarei conservá-lo durante todo o ano”. Penso que ele estivesse certo, pois o Natal precisa novamente ser honrado. E isto com urgência, porque há muito tempo as pessoas foram simplesmente ignorando o real sentido do Natal. O Papa Francisco, durante a homilia da Missa que presidiu no último dia 2, não hesitou em afirmar à humanidade o verdadeiro significado do Natal: “O Natal é mais! Nós vamos por este caminho para encontrar o Senhor. O Natal é um encontro! E nós caminhamos para encontrá-Lo com o coração, com a vida, encontrá-Lo vivo, como Ele é, encontrá-Lo com fé”. O Natal é um encontro. Que bela definição o Santo Padre nos deu! O Natal é um encontro com Jesus, o Menino Deus que traz consigo o segredo da verdadeira paz à alma humana ainda tão agitada. E neste encontro com Cristo, o Sumo Pontífice nos indica a oração, a caridade e o louvor como caminhos para uma boa preparação para o Natal.
Gostaria de deter-me neste primeiro caminho – o da oração – para vivenciarmos o Natal como aquilo que ele verdadeiramente é.
O mundo, nesta época, nos ensina que o Natal consiste em você caprichar na compra de presentes, fazer aquela ceia maravilhosa com ricas iguarias, ter o maior número possível de enfeites natalinos dentro de casa, chamar todos os parentes para uma confraternização social – mesmo que durante os outros 364 dias do ano vocês nem se falem mais! – e dar, além de tudo isso, umas generosas contribuições para as tais “caixinhas de Natal”.
Tudo na vida tem um real significado e valor. O Natal é, sobretudo, o aniversário do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo de Deus que se fez carne e habitou entre nós para nos salvar. E grande parte da nossa sociedade, tão consumista e alienada, simplesmente celebra o aniversário ignorando o aniversariante!
Nós, cristãos, não estamos isentos de tal risco. Podemos cair no mesmo equívoco de celebrar esta grande festa ignorando o aniversariante que é Cristo. Para que isso não aconteça, segue o conselho constante que a Mãe de Jesus nos dá em Medjugorje: “Queridos filhos, rezem, rezem, rezem”.
Preparemos o aniversário de Jesus com as nossas orações. Quando eu e você nos decidirmos a viver este Natal em oração, já estaremos começando a experimentar este encontro com o Menino Deus. É através da oração, desta busca de uma maior intimidade com Deus, que adentramos no castelo do Rei dos reis e nos livramos daquelas amarras de ressentimentos e lembranças amargas que nos oprimem e estragam o nosso Natal. Porém, não se iluda, meu irmão! Este “castelo” nos é revelado na pobreza da gruta de Belém, na qual o Trono de Graça se fez simples manjedoura e Aquele que detém todo poder e autoridade nas mãos manifesta-se na fragilidade de uma criança nos braços de Sua Mãe.
Somente aquele que reza consegue contemplar esses sinais escondidos que o mundo ainda não foi capaz de enxergar. Aquele que se decidir a viver o Natal em oração, com certeza, viverá um Natal mais santo, renovado e feliz. Pois o homem que reza jamais se encontra sozinho. Ele é semelhante àqueles Reis Magos que caminhavam por terras desconhecidas sob a guia de uma estrela. A luz que vinha do Alto os direcionava. O mesmo acontece com a alma orante: ela é sempre conduzida pelo Céu e para o Céu.
Que tal fazermos esta maravilhosa experiência neste tempo? Prepare-se bem para o Natal através da oração. Não deixe para rezar somente no Dia de Natal. Comece antes! Comece agora: um Santo Terço em família, ler na Bíblia as verdadeiras histórias do Natal para seus filhos, participar bem das Santas Missas durante este tempo, fazer uma boa Confissão e, nos últimos dias do Advento, rezar a Novena de Natal com os seus.
Enfim, deixe que a força da oração o guie em direção à gruta de Belém. Ali, você contemplará o Filho de Deus que se fez um de nós, e aprenderá que o Natal é a oportunidade que a humanidade tem de recordar que o verdadeiro amor consiste em doar-se até o fim com humildade e simplicidade. Ali, naquela manjedoura construída pela paz em seu coração, você poderá admirar o sorriso do Menino Jesus. E diante desse singelo sorriso, é impossível que a alma humana permaneça sofrendo na dor e na solidão!
Desejo a você e a sua família um Natal diferente dos anos anteriores: um Natal preparado em oração, um Natal que marque definitivamente este tempo novo de recomeços e retomadas na sua vida.
Um abraço fraterno!
Alexandre de Oliveira
Missionário da Comunidade Canção Nova
O humilhante não é cair, mas permanecer no chão enquanto a vida continua seu curso.
 
Por que será que nos lamentamos tanto quando nos decepcionamos, perdemos e erramos?
O mundo não acaba quando nos enganamos; Ele muda, talvez, de direção. Mas precisamos tirar partido dos nossos erros. Por que tudo teria que ser sempre correto, coerente, sem falhas? As quedas fazem parte da vida e do nosso aprendizado. Que dói, dói. Ah! Isso não posso negar! Dói no orgulho, principalmente. E quanto mais gente envolvida, mais nosso orgulho dói. Portanto, o humilhante não é cair, mas permanecer no chão enquanto a vida continua seu curso. O problema é que julgamos o mundo segundo a nossa própria maneira de olhar e nos esquecemos que existem milhões e milhões de olhares diferentes do nosso. Mas não está obrigatoriamente errado quem pensa diferente da gente só porque pensa diferente. E nem obrigatoriamente certo. Todo o mundo é livre de ver e tirar suas próprias conclusões sobre a vida e sobre o mundo. Às vezes acertamos, outras erramos. E somos normais assim. Então, numa discussão, numa briga, Pare um segundo e pense: "e se eu estiver errado?" É uma possibilidade na qual raramente queremos pensar. Nosso "eu" nos cega muitas vezes. Nosso ciúme, nosso orgulho e até, por que não, nosso amor. Não vemos o lado do outro e nem queremos ver. E somos assim, muitas vezes injustos tanto com o outro quanto com a gente mesmo, já que nos recusamos a oportunidade de aprender alguma coisa com alguém. E é por que tanta gente se mantém nessa posição que existem desavenças, guerras, separações. Ninguém cede e as pessoas acabam ficando sozinhas. E de que adianta ter sempre razão, Saber de tudo, Se no fim o que nos resta é a solidão? Vida é partilha. E não há partilha sem humildade, sem generosidade, sem amor no coração. Se fecharmos nossa alma e nosso coração, nada vai entrar. E será que conseguiremos nos bastar a nós mesmos? Eu duvido. Não andamos na corda bamba o tempo todo, mas às vezes é o único meio de atravessar, nunca duvide do seu poder de sobrevivência! Se você duvida, cai. Aprenda com o apóstolo Pedro que, enquanto acreditou, andou sobre o mar, mas começou a afundar Quando sentiu medo. Deus não prometeu Dias sem Dor; Risos sem Sofrimentos; Sol sem Chuva. Ele prometeu Força para o Dia; Conforto para as Lágrimas e Luz para o Caminho."

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo

“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo.” Apocalipse 3.20
Você também quer estar com Jesus Cristo? Chegou a hora de começar uma vida com Deus. Talvez você sinta uma fraqueza total, ou seja, uma incapacidade para amar o seu próximo. Você se sente consumido pela ira contra seus adversários? Isso acontece porque Jesus Cristo ainda não tem lugar no seu coração. Se Ele começou a bater à sua porta, é extenuante e custa muito resistir a Ele. Se agora você O receber em seu coração, no mesmo instante, juntamente com Ele, Deus lhe dará tudo aquilo que você tanto necessita. Está escrito que “o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.” Então ira e rebeldia se afastam do seu coração. A natureza de Deus invade seu ser porque Ele entra no seu coração por meio de Jesus Cristo. Só assim você terá condições de amar seus maiores inimigos e abençoá-los em oração. De repente, você anda no amor de Deus e começa a se dar conta de como são bons os pensamentos e planos que Ele tem para com a sua vida. Seu andar se torna um andar no caminho das alturas!

Qual o verdadeiro significado do Natal?

Cristo nasceu...
Sabe-se que o nascimento de Cristo não ocorreu em 25 de dezembro. Entretanto não nos concentraremos neste detalhe, mas somente na razão exata pela qual Ele veioao mundo.
Por ocasião do nascimento de Jesus um anjo deixou uma mensagem especial aos pastores de Belém, uma mensagem de interesse universal: Em Lucas 2.10 lemos assim:
Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor"
O que ocorreu foi que Deus se tornou homem e habitou entre nós! Mas porque isso tinha que acontecer? A Bíblia Sagrada enfatiza a necessidade de um Salvador para o mundo. Deus nos fez uma promessa em Adão e Eva por ocasião da queda. Uma promessa de redenção cujo cumprimento anularia todos os efeitos negativos do pecado sobre a humanidade. O cumprimento dessa promessa é importante para todos nós. Pela queda passamos a andar no caminho da ilusão, do engano e do erro. Em Jesus Cristo somos trazidos de volta ao caminho da verdade que conduz à vida.
Nesta época do ano muito se fala no nascimento físico de Jesus, mas o mais importante é que ele veio mesmo foi para habitar espiritualmente em cada um de nós. Ele mesmo declarou: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.” (João 14.23)

Significado do Natal: Cristo em nós

Quem nunca se perguntou por que nascemos ou, porque viemos ao mundo? Se Deus permitiu a nossa existência é porque Ele tem um propósito especial para nossas vidas. Obviamente a nossa existência só terá um sentido real e completo quando conhecemos a Cristo, quando temos um relacionamento com Ele, isto é, quando permitimos que Ele seja o Senhor de nossa vida. Essa é a única forma de termos a luz de Cristo para iluminar o nosso caminho. Em João 1.9 lemos assim: “Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.” (João 1.9) Este é o inicio para compreendermos o plano de Deus para nossa vida.
o amor de deusA vinda de Cristo ao mundo é a melhor de todas as notícias, é a expressão máxima do amor de Deus por este mundo perdido. Em 1 João 4.9 lemos: “Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.”
Embora a morte espiritual tenha entrado no mundo através de Adão e Eva, a fonte da vida eterna já estava a caminho. Deus jamais esqueceria de cumprir sua promessa porque Ele é fiel. Então podemos dizer que o nascimento de Jesus é o maior presente que já recebemos de Deus. Em João 3.16 lemos assim: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."

Viver os Ensinamentos de Jesus Cristo

Jesus nos pede que coloquemos os mandamentos de Deus à prova, vivendo-os. (Ver João 7:16–17.) O rei Benjamim, rei e profeta do Livro de Mórmon, ensinou o evangelho a seu povo, aconselhando: “(…) Se acreditais em todas estas coisas, procurai fazê-las”. (Mosias 4:10) Conforme aprendemos os ensinamentos de Jesus Cristo, devemos praticá-los. A história a seguir, “Vinte e Quatro Horas de Ouro”, ilustra como Charlotte, uma jovem infeliz e descontente, beneficiou-se com a prática dos ensinamentos do Salvador.
“Charlotte havia chegado a uma época difícil da vida. Sentia-se muito descontente e tudo parecia-lhe sair errado. Suas ambições não se concretizavam, seus amigos nada tinham de especial, seu lar não lhe agradava e, como bem sabia, sua própria personalidade deixava muito a desejar. Era um problema grande demais para a jovem, que parecia estar sendo levada por uma torrente de circunstâncias, que a conduziam a uma vida sem satisfações ou atrativos, da qual não podia escapar.
Charlotte pediu ajuda a Margaret Ames, uma mulher que parecia levar o tipo de vida que ela gostaria de ter. Contou-lhe sua história frustrada e infeliz (…) e Margaret, depois de uma palavra de consolo, disse-lhe: ‘Você pode mudar tudo isso, se realmente tiver vontade’. (…)
[Para início de vida nova,] Margaret sugeriu-lhe: ‘Viva vinte e quatro horas como se Cristo estivesse ao seu lado, vendo tudo o que você faz. Depois, volte aqui e conversaremos a respeito. Você fará isso?’
Mesmo sendo membro da Igreja, Charlotte nunca pensara em Cristo daquela forma—como se fosse um vizinho com quem pudesse conversar à vontade. Embora constrangida e em dúvida, dispôs-se a fazer o que Margaret sugerira.
Já anoitecia, quando Charlotte voltou para casa, onde sabia que era esperada para arrumar a mesa do jantar. Abriu a gaveta do armário e de lá tirou uma toalha de mesa amassada que, ao ser estendida, mostrou diversas manchas de gordura. Nesse instante sentiu o desejo de começar a mudar.
‘Se Cristo fosse comer conosco, eu não colocaria essa toalha suja na mesa’, pensou.
Charlotte foi buscar uma toalha limpa e, movida pelo mesmo pensamento, colheu flores no jardim, enfeitando a mesa com elas. Limpou a manteigueira, cortou o pão com capricho. (…)
‘Vamos ter visita para o jantar?’ perguntou o pai. (…)
‘Só você, papai’, respondeu com um sorriso. Se Cristo estivesse presente, nós não deixaríamos de sorrir para nossos familiares, mostrando boas maneiras.
Cansada, a mãe sentou-se à mesa ainda de avental, e disse: ‘Não sei o que deu nela para arrumar a mesa dessa forma só para nós. Vai ver que espera que alguém chegue antes de terminarmos de comer’ (…).A jovem nada respondeu, até conseguir pensar em algo adequado a ser dito na presença do Convidado invisível. ‘Não conheço ninguém que mereça isto mais do que vocês’, respondeu finalmente.
A família ficou sem saber o que dizer durante algum tempo. Nem parecia a mesma Charlotte. O pai comentou: ‘Tem razão, filha. É pena que nem sempre pensemos assim’. (…)
Charlotte foi para a sala, tirou de baixo de uma pilha de revistas uma que havia escondido no meio das outras, e pôs-se a ler. Depois de alguns minutos, largou a revista (…) ‘Eu não estaria lendo isto, se Cristo estivesse sentado ao meu lado’. Acabou jogando-a no lixo. (…)
No dia seguinte, foi para o trabalho.(…) Como o detestava!(…)
‘Cristo está ao meu lado’, pensou, ao entrar na loja, caminhando em direção às outras jovens que conversavam alegremente. Com um sorriso nos lábios, cumprimentou a todos que encontrou. (…)
A amabilidade de Charlotte espantou suas colegas de trabalho. Ela conseguiu até resolver alguns problemas com alguns fregueses malcriados, imaginando como agiria, se Cristo estivesse ao seu lado. Naquela tarde, voltou à casa de Margaret Ames para conversarem sobre a experiência.
‘Eu tentei, Sra. Ames. Tentei com todas as forças. De fato, parece que tudo se modificou. Acho que sei o que a Sra. quis ensinar-me. Naturalmente, as coisas que me aborreciam não mudaram. Continuo pobre e não tenho como cursar uma faculdade; moro numa casa feia. (…)
‘Mas, querida! Faz apenas vinte e quatro horas que você começou a plantar as sementes. (…) Será que pode continuar, e “esperar” pacientemente no Senhor, como manda o salmista? (…) Você possui a [chave], que é Cristo. As queixas não mudam muito as coisas, mas Cristo muda. Não deixe de tê-Lo sempre por perto’.
‘É o que vou fazer’, respondeu Charlotte”. [Lucy Gertsch Thompson, comp., Stories That Live, (1956), pp. 34–43]
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    O que Charlotte conseguiu, tentando viver como Cristo queria que vivesse? Quais bênçãos recebeu naquelas vinte e quatro horas?
O Senhor nos abençoará, se procurarmos sinceramente viver de acordo com Seu exemplo e Sua palavra. Ele nos aconselhou: “Buscai-me em cada pensamento”. (D&C 6:36) Quando fazemos isso, dispomo-nos a examinar a nós mesmas e perguntar: “Estou fazendo o que Jesus quer que eu faça? Ele resolveria este problema da mesma forma que eu? Como posso mudar minha vida atual, a fim de viver como Jesus viveu?” Se aceitarmos o convite do Salvador: “Vinde a mim” (ver Mateus 11:28), seguiremos Seu exemplo, fazendo tudo que Ele faria se estivesse em nosso lugar.

O Desafio: Seguir Jesus como Salvador e Senhor 

O Antigo Testamento nos ensina muitas coisas importantes. Dos livros mais antigos da Bíblia aprendemos quem é Deus, quem somos nós, e como o pecado nos separa do Criador. O Velho Testamento preparou o caminho para a vinda do Messias. Nestes livros percebemos bem o problema do pecado e a incapacidade do homem de resolvê-lo. Ao mesmo tempo, várias profecias do Velho Testamento falaram do Ungido que viria para salvar e reinar sobre os homens.
Mas é necessário chegar ao Novo Testamento para realmente conhecer o Salvador e para entender como servir ao Senhor hoje. Vamos considerar melhor o nosso relacionamento com Jesus nestes dois papéis importantes dele.

Jesus Cristo como o Único Salvador
Na nossa sociedade pluralista, a mensagem da cruz se torna cada vez menos aceitável. Para muitos, a fé exclusiva em Jesus não é politicamente correta. O ecumenismo domina o pensamento de um povo que tolera tudo, menos a verdade! Mas a Bíblia não deixa margem neste ponto: “Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 João 5:12).

O Desafio de Seguir o Salvador
Jesus apresentou três elementos fundamentais do discipulado (Marcos 8:34):
(1) Negar a si mesmo. Mas o mundo diz: “Seja realizado e agrade a si mesmo!”
(2) Tomar a sua cruz. Mas o mundo diz: “Fuja do sofrimento!”
(3) Seguir Jesus. Mas o mundo diz: “Siga o caminho que você acha melhor.”
Até no mundo religioso, entre os que se chamam cristãos, o apelo de Jesus tem sido totalmente distorcido. Considere as mensagens pregadas em muitas igrejas hoje – curas, prosperidade, “pare de sofrer” – e compare estas idéias às palavras de Jesus. As pessoas que pregam estas mensagens não estão nos chamando a sermos seguidores verdadeiros de Jesus.
Seguir Jesus como Salvador é um desafio que mudará radicalmente a nossa vida. Jesus ensinou uma lição prática sobre a humildade e serviço e disse: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João 13:15). Seguir o Salvador até significa sofrer por ele: “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” (1 Pedro 2:21).
Seguir a Jesus quer dizer que precisamos aprender falar como ele falava, agir como ele agia, amar como ele amava e pensar como ele pensava. É um desafio e tanto!

O Desafio de Obedecer o Senhor
Muitos querem Jesus como Salvador, mas não o querem como Senhor. Querem a bênção da salvação, mas não o compromisso da submissão. Aceitar Jesus como Senhor exige uma transformação radical.
Jesus afirmou sua própria soberania. As palavras dele vieram do Pai e serão a base do julgamento dos homens (João 12:44-50). Ele disse que a obediência a ele é necessária para ter comunhão com Deus (João 14:23). Também afirmou que toda a autoridade foi dada a ele (Mateus 28:18-20). O Pai lhe deu esta autoridade. Uma vez que Jesus tem toda a autoridade, nós devemos guardar tudo que ele ordena. Esta obediência faz parte da definição do verdadeiro discípulo.
O Pai afirmou a soberania de Jesus. O relato de Mateus 16 trata de momentos de crise na vida dos apóstolos. Eles enfrentavam as ameaças de falsas doutrinas (16:1-12). Pedro confessou a sua fé, mas logo em seguida vacilou e foi repreendido por Jesus (16:13-23). Jesus aproveitou o momento para ensinar sobre o sacrifício e compromisso necessários para ser discípulos (16:24-28). Pedir compromisso total num ambiente de dúvida e contradição requer uma base sólida para estabelecer a fé. Deus sabia disso!
Continuando no mesmo contexto, encontramos o relato de um evento singular – a transfiguração de Cristo (Mateus 17:1-8). Jesus levou três dos apóstolos para um monte onde a sua natureza divina brilhou visivelmente. Apareceram dois heróis do Antigo Testamento, Moisés e Elias, mas logo sumiram para deixar lugar para uma só autoridade, Jesus. O Pai acrescentou seu carimbo de autoridade quando disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi” (17:5). Moisés e Elias sumiram, e só Jesus ficou!
Outros, inspirados pelo Espírito Santo, afirmaram a soberania e a autoridade de Jesus. Jesus é o fundamento (1 Coríntios 3:11), a pedra angular (1 Pedro 2:7-8). Ele é “o cabeça sobre todas as coisas” (Efésios 1:22), “para em todas as coisas ter a primazia” (Colossenses 1:18). Tudo que fazemos deve ser feito com a autorização dele (Colossenses 3:17). Jesus Cristo é “o Soberano dos reis da terra” (Apocalipse 1:5).

O Perigo de Desrespeitar a Palavra do Rei
Agir sem permissão é a mesma coisa de mudar ou remover a lei. Podemos ilustrar este princípio importante observando o argumento apresentado em Hebreus 7:11-14. A lei do Antigo Testamento não deu permissão para Jesus ser sacerdote. A lei autorizou sacerdotes da tribo de Levi, mas Jesus veio de Judá. Não precisava de uma proibição específica, porque a lei não deu permissão: “pois é evidente que nosso Senhor procedeu de Judá, tribo à qual Moisés nunca atribuiu sacerdotes” (7:14). Jesus se tornou sacerdote, mas não de acordo com a lei do Antigo Testamento. Quando fez algo que a lei não autorizou, ele mudou ou removeu a lei (a palavra para mudança no 7:12 vem da mesma raiz grega da palavra remoção no 12:27). Jesus tem autoridade para mudar a lei (Mateus 28:18). Ele removeu o primeiro testamento e deu o Novo Testamento (Hebreus 10:9; 8:6).
Agora nós vivemos sob a Nova Aliança dada por Jesus. E nós não temos autoridade para mudar ou remover sua palavra. Se agirmos sem a autorização do Novo Testamento, estaríamos mudando a palavra de Jesus. Percebemos a importância de agir somente conforme a permissão dada por Jesus, nunca indo além da sua palavra.
Este ponto é fundamental para entender a confusão religiosa atual e como sair dela. Devemos deixar de lado as tradições humanas, pois invalidam a palavra de Deus (Marcos 7:13). Precisamos rejeitar doutrinas humanas, pois o ensinamento delas torna vã a adoração a Deus (Marcos 7:6-9). Quando olhamos para as diversas denominações fundadas por homens para divulgar doutrinas humanas, devemos lembrar das palavras de Jesus: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada” (Mateus 15:13).
Aqueles que realmente querem servir a Jesus como Senhor precisam ficar dentro dos limites da sua palavra, não ultrapassando o que está escrito na Bíblia (1 Coríntios 4:6). Jamais devemos brincar com a palavra de Deus, pois “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho” (2 João 9).

Conclusão
Onde os homens pregam diversos caminhos, Jesus oferece um só. Onde os homens pregam doutrinas próprias, Jesus oferece a única verdadeira. Os caminhos dos homens levam à morte, mas Jesus oferece a vida eterna (Jeremias 10:23; Provérbios 14:12).

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O adolescente e as Drogas


      
A adolescência e uma fase do desenvolvimento humano em que ocorrem muitas mudanças, é uma fase conflituosa da vida devido às transformações físicas e emocionais vividas. Surge a curiosidade, os questionamentos, a vontade de conhecer, de experimentar o novo mesmo sabendo dos riscos, e um sentimento de ser capaz de tomar as próprias decisões. É o momento que o adolescente procura sua identidade, não mais se baseando nas orientações dos pais, mas  também nas relações que constrói principalmente com o grupo de amigos.

Para a grande maioria dos jovens, ter experiências novas (lugares, músicas, amigos e também drogas) não necessariamente trará problemas permanentes, e muitos se tornarão adultos saudáveis. Mas há jovens que passam a ter problemas a partir dessas experiências,e por conta disso a adolescência é um periodo de risco para o envolvimento com as drogas.

Ao menos em parte, os riscos podem ser atribuídos às próprias características da adolescência tais como:
  • necessidade de aceitação pelo grupo de amigos
  • desejo de experimentar comportamentos visto como "de adultos"
  • sensação de onipotência "comigo isso não acontece"
  • grandes mudanças comportamentais gerando insegurança
  • aumento da impulsividade
A curiosidade natural dos adolescentes é um dos fatores de maior influência na experimentação de álcool e outras drogas, assim como a opinião dos amigos. Essa curiosidade o faz buscar novas sensações e prazeres, o adolescente vive o presente e na sua busca por realizações imediatas  o efeito das drogas vai  de encontro a isto, proporcionando prazer  imediato.

O modismo é outro aspecto importante relacionado ao uso de substâncias entre adolescentes, pois reflete a tendência do momento, e os adolescentes são particularmente vulneráveis a estas inflluências. Afinal estão saíndo da infância e começando a sentir o prazer da liberdade nas pequenas coisas, desde a escolha de suas próprias roupas, e atividades de lazer, até a definição de qual será seu estilo.  A pressão da turma, o modelo dos ídolos e os exemplos que os jovens tiveram dentro de casa.


O papel da família na formação do adolescente

A família, por sua vez, pode atuar com o um fator de risco ou protetor para o uso de substância psicoativas. Filhos de dependentes de álcool e drogas apresentam risco quatro vezes maior de também se tornarem dependentes.

Mas o desenvolvimento da dependência irá depender da interação de:
  • aspectos genéticos
  • características de personalidade
  • fatores ambientais, que poderão ser protetores ou até mesmo de risco para o uso de drogas
É de fundamental importância o papel da familia na formação do adolescente. é função da família fazer com que a criança aprenda a lidar com limites e frustrações.

Crianças que crescem em um ambiente com limites e regras claras, geralmente são mais seguras e sabem o que podem e o que não podem fazer. Quando se deparam com um limite, sabem lidar com a  frustração.

Crianças criadas sem regras claras, buscam testar os limites dentro de casa, adotando um comportamento desafiador com os pais e, posteriormente, ao entrar na adolescência, repetem esse mesmo comportamento desafiador fora de casa. Além disso por não estarem acostumados a regras e limites, não aceitam quando estes lhe são impostos.

Alguns estudiosos afirmam que adolescentes desafiadores e que não sabem lidar com frustrações, apresentam maior risco para o uso de drogas.

Por outro lado, o monitoramento por parte dos pais  e um bom relacionamento entre eles, é um importante fator de proteção em relação ao uso de drogas.

A SEXUALIDADE NA JUVENTUDE COMO FOCO DE INVESTIMENTO

A sexualidade na juventude tem sido objeto de atenção em nossa sociedade. Um dos principais focos de preocupação e intervenção é a gravidez na adolescência, que é também recorrentemente chamada de indesejada, precoce, não-planejada. Este artigo reflete sobre a atual explosão discursiva em torno desse tema e sobre o modo como a sexualidade adolescente tem sido focada como um problema social frente ao qual a escola é conclamada a intervir. O artigo analisa como a conduta sexual dos indivíduos e da população tornou-se objeto de análise e de diferentes intervenções médicas, pedagógicas, políticas e governamentais. Diferentes campos, como a medicina, a demografia e a educação, articulam-se com o intuito de gerir a sexualidade adolescente a fim de, entre outros, evitar a gravidez, que, em nossa sociedade, não é tida como uma experiência a ser vivida neste período da vida.
“Até que ponto a educação sexual faz falta?” Esta pergunta deu início a um programa de reportagens exibido numa das principais redes de televisão do país em 2004. O repórter anunciava que tratariam sobre o “drama dos jovens que vivem suas primeiras experiências sexuais” e concluía: “Nesse início de século, os adolescentes surpreendem pela pressa: tornam-se pais e mães como se isso fosse apenas mais uma brincadeira.” (GLOBO REPORTER, 2004)
A sexualidade de jovens tem sido assunto freqüente nos meios de comunicação, como jornais, revistas, televisão. A divulgação de alguma nova pesquisa quantitativa ou demográfica serve de mote para que este tema ganhe ainda maior destaque, como ocorreu em 2002, por ocasião da divulgação dos dados do Senso de 2000 e em 2004, quando da publicação de uma pesquisa da UNESCO (CASTRO, 2004). Nesses artigos, programas e debates, o “drama dos jovens que vivem suas primeiras relações sexuais” tem outro nome: “gravidez na adolescência”. Porém, o modo como a questão tem sido equacionada demonstra que o “drama” não é apenas dos jovens.
Por que esta explosão discursiva em torno da sexualidade juvenil? De que modo ela é focada como um problema social frente ao qual a escola é conclamada a intervir?
Como tentaremos demonstrar, o que está por traz deste intenso debate é o fato de a sexualidade ser um importante foco de investimento político e instrumento de tecnologia de governo. Durante o século XX, consolida-se um modelo de controle social denominado por Michel Foucault de biopoder, o qual é marcado por um forte investimento político na vida e para o qual o controle da sexualidade é fundamental. A importância do sexo como foco de disputa política deve-se ao fato de ele se encontrar na articulação entre os dois eixos ao longo dos quais se desenvolveu toda uma tecnologia política da vida: o sexo faz parte das disciplinas do corpo – permitindo o exercício de micropoderes – e pertence à regulação das populações. Assim, a sexualidade foi esmiuçada e tornou-se chave da individualidade, dando acesso à vida do corpo e à vida da espécie, permitindo o exercício de um biopoder sobre a população.
Por sua vez, a escola desponta como um espaço privilegiado para o desenvolvimento do biopoder, buscando garantir amplo impacto populacional no controle da sexualidade de crianças e, principalmente, jovens. Cabe, portanto, refletir sobre de que modo a educação está imbricada nesta problemática, sobre como ela se relaciona com outras áreas do saber, como a medicina e a demografia, a fim de gerenciar a sexualidade de jovens e crianças. São esses os objetivos deste artigo.
Além de artigos e reportagens de jornais e televisão, este artigo trará dados de uma pesquisa etnográfica desenvolvida entre agosto de 2002 e julho de 2003 em uma escola municipal de ensino fundamental do Rio de Janeiro. Durante este período foram feitas observações de aulas de turmas de 7ª série do ensino fundamental, de reuniões do Núcleo de Adolescentes Multiplicadores (NAM), reuniões de professores/as e outros eventos promovidos pela escola. Também foram feitas 23 entrevistas com estudantes, professores/as de diferentes disciplinas, membros da direção e professoras de Ciências de outras escolas.
Um último esclarecimento diz respeito à utilização aqui do termo “educação sexual” ao invés de “orientação sexual”. Enquanto em países de língua inglesa e francesa o primeiro termo é mais comum, no Brasil, na Educação, ele tem sido substituído nos últimos anos por “orientação sexual”, o qual é utilizado pelos PCN’s e pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. No campo da educação, essa escolha parece estar ligada ao termo “orientação educacional”, uma vez que, historicamente, os orientadores educacionais dividiram com os professores de Ciências a responsabilidade por trabalhar esse tema na escola (BONATO, 1996). No entanto, sua utilização acarreta problemas de interpretação, pois, no campo de estudos de gênero e sexualidade e nos movimentos sociais, assim como, de um modo geral, na bibliografia internacional, “orientação sexual” é o termo sob o qual se designa a opção sexual, evitando-se, assim, falar em identidade. Até mesmo na escola pesquisada, durante a realização de entrevistas, ocorreram confusões com a utilização dessa expressão. Considerando que em nenhum momento as/os professoras/es pesquisadas/os souberam demarcar diferenças entre essas expressões, e a fim de evitar mal-entendidos, adotamos aqui a expressão educação sexual.

“gravidez na adolescência” como um problema demográfico

Segundo Michel Foucault (1997), a partir do século XVIII a “população” torna-se um problema econômico e político. No cerne desse problema está o sexo, sendo necessário analisar a taxa de natalidade, a idade do casamento, os nascimentos legítimos e ilegítimos, a precocidade e a freqüência das relações sexuais, a maneira de torná-las fecundas ou estéreis, o efeito do celibato e das interdições, a incidência das práticas contraceptivas. É a primeira vez que, de maneira mais constante, uma sociedade afirma que seu futuro e sua fortuna estão ligados à maneira como cada um vive seu sexo. Sua administração faz dele um importante “princípio regulador” da população, dando margem a medidas massivas, a estimativas estatísticas, a intervenções que visam todo corpo social ou grupos tomados globalmente.
Apesar de os problemas da população serem há muito tempo colocados, é no século XVIII que eles se generalizam. Com o grande crescimento demográfico do Ocidente europeu durante o século XVIII, a necessidade de coordená-lo e de integrá-lo ao desenvolvimento do aparelho de produção, a urgência de controlá-lo por mecanismos de poder mais adequados e mais rigorosos fazem aparecer a “população”. A este problema passam a ser aplicados novos tipos de saber: a demografia, observações sobre o controle de epidemias, inquéritos sobre as amas de leite e as condições de aleitamento. Além disso, estabelecem-se aparelhos de poder que permitem não somente a observação, mas a intervenção direta. Assim, não se trata somente de um problema teórico, mas de um objeto de vigilância, análise, intervenções, operações transformadoras etc. Foucault afirma que, a partir desse momento, aparece algo que se pode chamar de poder sobre a vida. (FOUCAULT, 1994)
Tal fenômeno é contemporâneo à formação dos estados nacionais modernos, que se vêem diante da necessidade de conhecer seu território para avaliar como nele se repartem seus habitantes. Para tal, é necessário examinar os índices de crescimento demográfico, os fluxos migratórios, entre outros. No entanto, torna-se, sobretudo, necessário conhecer as taxas de mortalidade e de reprodução, os fenômenos epidêmicos e endêmicos e tudo o que concorre para determinar as condições de vida das populações, de modo a fornecer à administração os instrumentos apropriados que permitem uma intervenção eficaz de modo a reforçar a potência dos estados. Tal inflexão histórica marca a entrada da vida no domínio da política e, portanto, tal como nomeou Foucault, o nascimento da biopolítica, quer dizer, a entrada da vida e seus mecanismos no domínio dos cálculos explícitos que faz dos poderes e saberes agentes de transformação da vida humana. É assim que o ser humano, enquanto espécie, torna-se algo que entra em jogo nas estratégias políticas das sociedades ocidentais (BERTANI, 2001).
Deste modo, a tese de Foucault é que, ao contrário do que pensam certos críticos da medicina atual, “a medicina moderna é uma medicina social que tem por background certa tecnologia do corpo social”. Segundo o autor, a medicina é uma prática social que é individualista somente em um de seus aspectos e valoriza as relações médico-paciente (FOUCAULT, 1984: 79).
De acordo com Michel Foucault, o capitalismo desenvolvendo-se em fins do século XVIII e início do século XIX, socializou um primeiro objeto que é o corpo enquanto força de produção, força de trabalho. Para o autor, o controle da sociedade sobre os indivíduos não se opera simplesmente pela consciência ou pela ideologia, mas começa no corpo, com o corpo. Foi no biológico, no somático, no corporal que, antes de tudo, investiu a sociedade capitalista. O corpo é uma realidade bio-política e a medicina, o urbanismo, a demografia são estratégias bio-políticas (FOUCAULT, 1984: 80).
Os problemas da população e de seu governo continuam atuais. Resta-nos diagnosticar quais são seus novos focos. As preocupações em torno da gravidez entre jovens estão em grande parte relacionadas a esta questão. Para demonstrar isso, citamos trechos de um artigo publicado numa coluna semanal de um dos jornais de maior circulação no país. O artigo, não por acaso assinado por um médico, tem como título “O silêncio diante da explosão demográfica” (VARELLA, 2002: 12). Ele se inicia evocando dados demográficos e afirmando que “em 30 anos, dobramos a população e multiplicamos os problemas sociais”. Esta preocupação é ampliada pela observação de que o crescimento das taxas de natalidade estaria ocorrendo justamente entre meninas na faixa etária de 15 a 19 anos, que geralmente acabam criando seus filhos ou filhas sozinhas, sem o apoio paterno.  Afirma o autor:
“Meninas e meninos criados nessas comunidades pobres dependerão de enormes investimentos em políticas sociais para sobreviver com um mínimo de dignidade. Virão ao mundo em maternidades públicas, precisarão de postos de saúde, programas de distribuição de leite, escolas e hospitais gratuitos, merenda escolar, casas populares e, mais tarde, polícia nas ruas e cadeia para prender os que não se comportarem como cidadãos de respeito.” (idem)
Já finalizando seu texto conclui:
“O planejamento familiar deve ser considerado prioridade absoluta em saúde pública. Os recursos necessários para levá-los às populações mais carentes do país são insignificantes quando comparados ao custo social da explosão de gestações não planejadas nos dias atuais.” (idem)
O tom imperativo quanto à necessidade de planejamento e administração do problema é aqui ressaltado pelo discurso médico evocando razões de saúde pública, bem como a relação custo-benefício para o Estado. A partir do fenômeno da gravidez entre jovens, percebido como mais agudo por se tratar de “comunidades pobres” e “populações mais carentes”, o autor prevê o desdobramento de uma cadeia de problemas sociais que devem ser evitados.
Outro colunista, ao escrever sobre o mesmo tema, refere-se à maternidade nesta faixa etária como “uma das maiores calamidades brasileiras” (DIMENSTEIN, 2002). Assim, quando se fala sobre a “gravidez na adolescência”, o que está em questão não é apenas o “drama” dessas jovens, sua saúde ou a suposição de que isso arruinaria suas vidas e futuros. Não se trata somente de uma questão individual: trata-se também de um problema populacional que deve ser objeto de políticas públicas. Quando a escola é convocada a intervir, ela busca intervir na vida do corpo e na vida da espécie, na saúde individual e coletiva, na vida das/os jovens, bem como na regulação e organização da população.
O Menino Jesus e o Papai Noel
Papai Noel, nossas crianças precisam de símbolos, de histórias, do “faz-de-conta”, além de contos de fada, etc. Você, Papai Noel, veio do norte europeu, tinha o nome de São Nicolau, andava distribuindo presentes. Todavia você sabe que as coisas mudaram, na verdade, no passado você representou o Pai que nos deu seu Filho. Precisamos da paternidade.

Hoje, Papai Noel, você não representa mais nada disso. Sei que esta conversa não vai lhe agradar e, por isso, peço desculpas já antecipadamente. Sim, no Natal, o centro é uma criança pobre, humilde, sem teto, desalojada, na periferia, cheirando esterco. “Um Menino nos foi dado” (Is 9,5). O aniversariante, o dono da festa é Jesus nascido em Belém, “cidade do pão”, ou seja, da partilha, da solidariedade.

Você, Papai Noel, veio do comércio, do mercado, é um marqueteiro do consumismo, um sedutor de crianças, porta-voz das vitrines e compras. Ninguém, Papai Noel, é contra a festa, os presentes, a alegria. Mas nossas crianças acabam esquecendo o Menino que colocou a criança no centro de seu reino. Elas, hoje, são fascinadas pelo consumismo e com voracidade viverão seu futuro como escravas da moda, das compras e do desperdício. Jesus foi desalojado e as lojas endeusadas. Desde aquele tempo até hoje, Deus foi despejado, excluído, abandonado: “Não havia lugar para eles.” (Lc 2,7)

Que pena! Muita gente não acredita mais em nada, nem no Menino e muito menos em você, Papai Noel. Nosso Natal cristão virou feriadão. Apagam-se as luzes da fé e acendem-se as do comércio. O Velho matou o Menino. É verdade que temos gestos lindos de solidariedade, encontros familiares, celebrações litúrgicas. Eis o Natal com Jesus, com o aniversariante, com Maria, José, os anjos, os pastores, os magos. Estes últimos abandonaram suas riquezas, horóscopos e adoraram Jesus. Encontraram o verdadeiro caminho: o Menino e sua Mãe.

Papai Noel, você não precisa desaparecer. Mas precisa mudar. Reconhecemos que você faz gestos humanitários nos hospitais, nas fábricas, etc. Faça como o velho Simeão no templo e ajude-nos a dar o Menino Jesus para as crianças. Que o Menino seja conhecido, amado e seguido. Natal é a historia de uma gravidez não abortada, é uma festa de fé, esperança e amor que todos os domingos é celebrada na liturgia.

Natal é festa da encarnação, da salvação, da partilha, da solidariedade. Nasceu o Príncipe da Paz. Seu trono é fundado na justiça e no direito. O Menino de Belém, com Maria e José, abençoem e nos confirmem no verdadeiro espírito de Natal. Com hinos de glória a Deus nas alturas e com gestos de paz, nos tornaremos mais humanos, alegres, verdadeiros, sensíveis, solícitos e bons. Depois que Jesus veio não podemos viver num mundo sem Jesus e numa sociedade pós-humana. Vamos renascer neste Natal, recuperar o que foi perdido e reencantar-nos pelo Menino.